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Divina Mestre Diva
Em 18 de julho chegava a sua última estação uma locomotiva chamada por todos, carinhosamente, de Dona Diva. Parece desgastada a metáfora, porém justifica-se, não apenas pela forte presença do trem como meio de locomoção no início da vida dessa educadora exemplar e incansável mestre. Paradoxalmente à sua frágil aparência física, sua presença, suas palavras e suas atitudes carregavam a simbologia de uma locomotiva, pois não se contentava em somente viajar, preocupava-se, principalmente, em conduzir todos quantos lhe permitissem ser ajudados. Sua viagem sempre foi o olhar pelo outro, a atenção para com o próximo, e sem nunca impor concessões ou sequer exigir recompensas. Sua vida foi a prática viva da solidariedade, do ver, do olhar, do atender, do socorrer a seus irmãos.
Agora a viagem daqueles que tiveram - como eu - o privilégio de conviver com essa alma genuinamente cristã seguirá mais solitária e muito saudosa. No entanto, como mestre que soube ser, Dona Diva também soube preparar esses privilegiados para serem almas menos egoístas e mais solidárias, mais humanas. A eterna lembrança de seu meigo jeito de ser, de falar, e de sua proclamada fé na Divina Providência restará para sempre em nossas retinas, em nossos ouvidos e em nossa alma, guiando-nos como profissionais e amantes da educação, como sempre ensinado por ela.
Impossível esquecer seu amor, simultaneamente doce e disciplinado, pelo ato de educar. Como bem lembrou uma de suas filhas, Dona Diva fez-se lápis através do qual Deus escrevia seus desígnios. Ouso ampliar a imagem, Dona Diva não foi apenas lápis do Senhor, ela soube ser lápis de aquarela: coloriu e espalhou cor e vida a todos e em todos os lugares por onde passou. Soube, de forma ímpar, fazer a diferença e dar sentido à existência. Soube significar as palavras fé e cristandade.
Além de exemplo do amor cristão, Dona Diva soube ensinar a fé em um Ser Supremo. Soube ensinar não porque o fizesse de forma doutrinária, mas porque o fazia com sua vida como mulher, como esposa, como mãe, como mestre, como cristã e como cidadã. Independente do credo que professasse, sua fé em um Sagrado Coração mostrava-nos que nada vale a pena quando a alma não tem fé. A mesma fé que vivenciou e ensinou concretizou seu sonho maior de deixar um legado que faça a diferença na vida de crianças e jovens, pois está sempre abençoado pela providência divina.
Fica a saudade, ficamos chorosos, porém, fica muito mais a real essência de palavras como Fé, Amor, Caridade, Ensinamento e Trabalho. Dona Diva, vá em paz e com a certeza de que sua missão se cumpriu, pois viveu e amou como poucos seres humanos ousaram fazer.